De empreendedor a gestor

Como é o dia a dia da sua empresa? Inúmeras questões para resolver que dependem diretamente da sua ação e isso gera a sensação de que os problemas nunca acabam? Faltam horas no dia e dias na semana? Sistema que não funciona direito, falta de informações e colaboradores despreparados para assumirem responsabilidades e tomarem decisões?

Pois é, esses sintomas acometem muitas empresas em todos os segmentos, todas as idades e, normalmente, as de pequeno e médio portes são as mais afetadas. E sabe qual a principal fonte desses problemas e, ao mesmo tempo, a fonte para a sua solução? O dono! Sim, a identidade da empresa é o reflexo da sua identidade e independentemente de definir Missão, Visão e Valores dignos de capa de revista, o que prevalece no fim das contas são as crenças e os comportamentos positivos e negativos do dono.

A coragem, a visão, a criatividade e a persistência são características que diferenciam os empreendedores, sem dúvida! Porém, essas mesmas características que foram tão essenciais no início da jornada empreendedora podem se tornar nocivas ao próprio negócio, caso não sejam bem dosadas. Gerir um negócio depende de outras habilidades que talvez você não tenha e de atividades que talvez você não goste. Não sei se alguém já lhe disso isso, mas você pode ser o maior sabotador da sua empresa e não está percebendo.

De Fusca a Ferrari

Quando o modelo de negócio dá certo e começa a crescer rapidamente é comum que nem todas as áreas da empresa acompanhem o ritmo e que o empreendedor se dedique às áreas que tem mais afinidade. É comum, mas não é saudável e problemas começam a aparecer e comprometer o resultado. Estratégias comercialmente agressivas e aceleração nos investimentos para expansão, por exemplo, requerem amparo no planejamento financeiro e, neste tipo de situação, a coragem do empreendedor deveria ser sutilmente calibrada.

Tem outros casos em que não só o modelo de negócio dá certo como também as áreas da empresa acompanham de forma homogênea o crescimento, o que é perfeito. Porém, o perfil de gestão do empreendedor permanece o mesmo, com alto grau de centralização, gerando dependência nas pessoas e nos processos, limitando o teto de crescimento da empresa à palma da sua mão. É quando costuma-se usar a analogia do Fusca versus Ferrari: “sua empresa se tornou uma Ferrari e você continua dirigindo como se fosse um Fusca!”

E, claro, o cenário mais complicado é quando o negócio não está indo bem e o dono insiste no mesmo modelo de gestão que aplicou desde o início sem perceber que o mercado mudou. Aliás, que muda o tempo todo e exige um novo jeito de ver, interpretar e fazer as coisas.

Como saber se você está atrapalhando o desenvolvimento da sua empresa?

Poucas são as empresas que já começam grandes. A maioria começa pequena e vai se organizando conforme seu tamanho aumenta. Porém, tem uma questão fundamental e que deveria ser praticada ainda na fase inicial do negócio: preparar o crescimento através de processos, geração de informações e desenvolvimento das pessoas, afinal, as coisas não ficarão sempre na sua mão e ao alcance dos seus olhos.

O resultado de não ter feito isso no momento certo é ter uma empresa que simplesmente não funciona sem a sua presença. Todas as decisões passam pela sua mesa – ou por seu telefone. Você mesmo precisa atuar na operação com frequência porque senão as vendas não acontecem, produtos não são fabricados e clientes não são atendidos.

Oportunidades de negócios são desperdiçadas porque você não consegue dar repostas em tempo hábil. Boas contratações até são realizadas porque você paga bons salários, mas não consegue manter os profissionais na empresa. O planejamento não sai do papel e a ansiedade está em níveis altos porque você não tem informações seguras para tomar decisões.

Se estes sinais estão presentes na sua empresa, faça uma boa reflexão sobre todas as etapas do seu negócio, as conquistas e as barreiras que ainda não foram vencidas. Identifique quais das suas atitudes ajudaram seu negócio a chegar até aqui e quais atitudes são necessárias para que ele siga adiante.

Sempre há tempo para a mudança e o primeiro passo é tomar consciência de que ela é necessária. Lembre-se que quem dá os limites ao seu negócio não é o mercado, é você!

 

Autor do post: Adriana Moser, consultora de gestão da Florença Empresarial





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